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A crescente distância entre a formação académica e a inserção no mercado de trabalho em Angola esteve no centro de uma análise crítica feita por Marco Aurélio Mendes, gestor com mais de duas décadas de experiência e embaixador da Ducati no país. A reflexão foi partilhada recentemente durante a sua participação no podcast “Taça Cheia”, conduzido pelo jornalista e fotógrafo Sebastião Vemba, onde abordou, de forma directa, os desafios estruturais que continuam a travar o aproveitamento efectivo dos quadros formados no país.
Com um discurso assertivo e fundamentado na experiência prática, Marco Aurélio Mendes começou por reconhecer que Angola enfrenta uma dupla fragilidade: por um lado, a carência de formação sólida em determinadas áreas e, por outro, uma postura pouco estratégica por parte de algumas organizações. “Temos efectivamente uma carência de formação, mas também há uma deficiência de algumas empresas que querem quadros prontos a usar, sem investir na sua formação interna”, afirmou.
Segundo o gestor, esta expectativa irrealista por parte das empresas ignora um factor essencial: a identidade organizacional. Para Mendes, cada empresa possui um ADN próprio, que deve ser transmitido e desenvolvido internamente. Neste sentido, sublinhou que a juventude africana, cuja média de idades ronda os 17 anos, exige uma abordagem mais pedagógica e inclusiva no processo de integração profissional. “Não podemos esperar quadros totalmente preparados em sectores que ainda estão em desenvolvimento no país”, reforçou.
A sua análise avança ainda para a necessidade de maior compromisso social por parte do sector empresarial. Para o também apaixonado por liderança e formação, o papel das empresas vai além da simples contratação: trata-se de formar, orientar e transmitir valores. “Quem sai da universidade precisa de uma oportunidade real para adquirir experiência profissional. As empresas têm também uma missão socioeducativa de formar esses jovens com base nos seus princípios, missão e visão”, destacou.
Num tom mais crítico, Mendes manifestou indignação face à falta de autenticidade de algumas organizações, sobretudo no que diz respeito à definição dos seus valores institucionais. Para ele, a prática recorrente de replicar modelos de outras empresas, o chamado “copy paste”, revela ausência de identidade e visão estratégica. Defende, por isso, que missão e valores devem ser documentos dinâmicos, ajustados periodicamente à evolução do contexto global. “O mercado e o contexto geopolítico estão em constante mudanças, e as empresas precisam de acompanhar essa dinâmica com flexibilidade e visão”, explicou, ilustrando com cenários internacionais que podem impactar directamente modelos de negócio.
Ao trazer a discussão para a realidade angolana, o gestor apontou ainda uma questão cultural que considera preocupante: a inversão da lógica de liderança. “Angola, por vezes, é uma tribo estranha. Temos muitos chefes e poucos índios. Toda a gente quer liderar, mas nem todos passaram pelo percurso necessário”, afirmou. Para Mendes, liderar exige conhecimento profundo dos processos e experiência prática, sob pena de decisões desconectadas da realidade operacional.
A intervenção de Marco Aurélio Mendes levanta, assim, um debate urgente sobre o papel das instituições de ensino, das empresas e dos próprios profissionais na construção de um mercado de trabalho mais equilibrado e funcional. Entre a formação académica e a prática profissional, permanece um fosso que só poderá ser reduzido com investimento consistente, visão estratégica e, sobretudo, compromisso colectivo com o desenvolvimento humano e organizacional em Angola.
A crescente distância entre a formação académica e a inserção no mercado de trabalho em Angola esteve no centro de uma análise crítica feita por Marco Aurélio Mendes, gestor com mais de duas décadas de experiência e embaixador da Ducati no país. A reflexão foi partilhada recentemente durante a sua participação no podcast “Taça Cheia”, conduzido pelo jornalista e fotógrafo Sebastião Vemba, onde abordou, de forma directa, os desafios estruturais que continuam a travar o aproveitamento efectivo dos quadros formados no país.
Com um discurso assertivo e fundamentado na experiência prática, Marco Aurélio Mendes começou por reconhecer que Angola enfrenta uma dupla fragilidade: por um lado, a carência de formação sólida em determinadas áreas e, por outro, uma postura pouco estratégica por parte de algumas organizações. “Temos efectivamente uma carência de formação, mas também há uma deficiência de algumas empresas que querem quadros prontos a usar, sem investir na sua formação interna”, afirmou.
Segundo o gestor, esta expectativa irrealista por parte das empresas ignora um factor essencial: a identidade organizacional. Para Mendes, cada empresa possui um ADN próprio, que deve ser transmitido e desenvolvido internamente. Neste sentido, sublinhou que a juventude africana, cuja média de idades ronda os 17 anos, exige uma abordagem mais pedagógica e inclusiva no processo de integração profissional. “Não podemos esperar quadros totalmente preparados em sectores que ainda estão em desenvolvimento no país”, reforçou.
A sua análise avança ainda para a necessidade de maior compromisso social por parte do sector empresarial. Para o também apaixonado por liderança e formação, o papel das empresas vai além da simples contratação: trata-se de formar, orientar e transmitir valores. “Quem sai da universidade precisa de uma oportunidade real para adquirir experiência profissional. As empresas têm também uma missão socioeducativa de formar esses jovens com base nos seus princípios, missão e visão”, destacou.
Num tom mais crítico, Mendes manifestou indignação face à falta de autenticidade de algumas organizações, sobretudo no que diz respeito à definição dos seus valores institucionais. Para ele, a prática recorrente de replicar modelos de outras empresas, o chamado “copy paste”, revela ausência de identidade e visão estratégica. Defende, por isso, que missão e valores devem ser documentos dinâmicos, ajustados periodicamente à evolução do contexto global. “O mercado e o contexto geopolítico estão em constante mudanças, e as empresas precisam de acompanhar essa dinâmica com flexibilidade e visão”, explicou, ilustrando com cenários internacionais que podem impactar directamente modelos de negócio.
Ao trazer a discussão para a realidade angolana, o gestor apontou ainda uma questão cultural que considera preocupante: a inversão da lógica de liderança. “Angola, por vezes, é uma tribo estranha. Temos muitos chefes e poucos índios. Toda a gente quer liderar, mas nem todos passaram pelo percurso necessário”, afirmou. Para Mendes, liderar exige conhecimento profundo dos processos e experiência prática, sob pena de decisões desconectadas da realidade operacional.
A intervenção de Marco Aurélio Mendes levanta, assim, um debate urgente sobre o papel das instituições de ensino, das empresas e dos próprios profissionais na construção de um mercado de trabalho mais equilibrado e funcional. Entre a formação académica e a prática profissional, permanece um fosso que só poderá ser reduzido com investimento consistente, visão estratégica e, sobretudo, compromisso colectivo com o desenvolvimento humano e organizacional em Angola.