
As economias africanas, ainda em processo de recuperação após os impactos da pandemia, da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e do agravamento das tarifas comerciais, enfrentam agora um novo risco: os efeitos dos conflitos no Médio Oriente. O alerta consta de um relatório conjunto apresentado a 15 de Abril de 2026, em Washington, por instituições como a União Africana, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a UNECA e o PNUD.
O documento, intitulado “Impactos do Conflito no Médio Oriente nas Economias Africanas”, destaca que o encerramento do Estreito de Ormuz teve repercussões significativas no transporte marítimo e no comércio internacional, agravando pressões já existentes. Kevin Urama, economista-chefe do BAD, sublinhou que o momento exige prudência por parte dos governos africanos, evitando decisões precipitadas que possam comprometer o equilíbrio orçamental.
Entre os principais efeitos identificados estão o aumento dos preços dos combustíveis, dos produtos alimentares e dos fertilizantes, bem como perturbações nas cadeias de abastecimento e maior volatilidade nos mercados financeiros. Segundo Claver Gatete, da Comissão Económica para África, cerca de 80% do petróleo importado pelo continente provém da região em conflito, o que expõe fortemente os países africanos a choques externos. Pelo menos 31 países já enfrentam desvalorização das suas moedas.
Apesar do cenário adverso, responsáveis africanos sublinham a resiliência do continente. Francisca Tatchouop Belobe, da União Africana, considera que o momento deve servir para reforçar a capacidade de resposta interna e acelerar reformas estruturais.
O relatório recomenda uma gestão rigorosa da inflação e das finanças públicas, especialmente nos países exportadores de petróleo, que devem evitar gastos excessivos com receitas extraordinárias. Defende ainda a implementação de medidas de apoio social temporárias e direcionadas, alertando contra subsídios generalizados que possam agravar os défices no longo prazo.
Entre as soluções propostas está o reforço do comércio intra-africano, a diversificação das fontes de energia e do abastecimento alimentar, bem como a aceleração da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). O documento incentiva também investimentos em energias renováveis e no gás, visando reduzir a dependência externa.
No plano financeiro, o relatório apela à mobilização de recursos internos e à rápida implementação da Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento, alinhada com o chamado “Consenso de Abidjan”, alcançado este mês.
Parceiros internacionais são igualmente chamados a intervir, através de apoio de emergência e assistência técnica. A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, defendeu medidas urgentes para proteger os progressos já alcançados e garantir o cumprimento das metas da Agenda 2030 e da Agenda 2063.
A mensagem geral é clara: os choques externos continuam a testar a estabilidade africana, mas também expõem a necessidade de acelerar a autonomia económica do continente, com soluções internas mais robustas e sustentáveis.
As economias africanas, ainda em processo de recuperação após os impactos da pandemia, da guerra entre a Rússia e a Ucrânia e do agravamento das tarifas comerciais, enfrentam agora um novo risco: os efeitos dos conflitos no Médio Oriente. O alerta consta de um relatório conjunto apresentado a 15 de Abril de 2026, em Washington, por instituições como a União Africana, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a UNECA e o PNUD.
O documento, intitulado “Impactos do Conflito no Médio Oriente nas Economias Africanas”, destaca que o encerramento do Estreito de Ormuz teve repercussões significativas no transporte marítimo e no comércio internacional, agravando pressões já existentes. Kevin Urama, economista-chefe do BAD, sublinhou que o momento exige prudência por parte dos governos africanos, evitando decisões precipitadas que possam comprometer o equilíbrio orçamental.
Entre os principais efeitos identificados estão o aumento dos preços dos combustíveis, dos produtos alimentares e dos fertilizantes, bem como perturbações nas cadeias de abastecimento e maior volatilidade nos mercados financeiros. Segundo Claver Gatete, da Comissão Económica para África, cerca de 80% do petróleo importado pelo continente provém da região em conflito, o que expõe fortemente os países africanos a choques externos. Pelo menos 31 países já enfrentam desvalorização das suas moedas.
Apesar do cenário adverso, responsáveis africanos sublinham a resiliência do continente. Francisca Tatchouop Belobe, da União Africana, considera que o momento deve servir para reforçar a capacidade de resposta interna e acelerar reformas estruturais.
O relatório recomenda uma gestão rigorosa da inflação e das finanças públicas, especialmente nos países exportadores de petróleo, que devem evitar gastos excessivos com receitas extraordinárias. Defende ainda a implementação de medidas de apoio social temporárias e direcionadas, alertando contra subsídios generalizados que possam agravar os défices no longo prazo.
Entre as soluções propostas está o reforço do comércio intra-africano, a diversificação das fontes de energia e do abastecimento alimentar, bem como a aceleração da implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA). O documento incentiva também investimentos em energias renováveis e no gás, visando reduzir a dependência externa.
No plano financeiro, o relatório apela à mobilização de recursos internos e à rápida implementação da Nova Arquitectura Financeira Africana para o Desenvolvimento, alinhada com o chamado “Consenso de Abidjan”, alcançado este mês.
Parceiros internacionais são igualmente chamados a intervir, através de apoio de emergência e assistência técnica. A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, defendeu medidas urgentes para proteger os progressos já alcançados e garantir o cumprimento das metas da Agenda 2030 e da Agenda 2063.
A mensagem geral é clara: os choques externos continuam a testar a estabilidade africana, mas também expõem a necessidade de acelerar a autonomia económica do continente, com soluções internas mais robustas e sustentáveis.