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"África vai crescer mais do que a Ásia pela primeira vez na história", afirma Carlos Lopes

"África vai crescer mais do que a Ásia pela primeira vez na história", afirma Carlos Lopes
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A cidade de Luanda acolheu a primeira edição do Fórum "Pensar Global", uma iniciativa da Edicenter Publicações, LDA, que reuniu membros do Executivo, académicos, empresários e representantes de diversos sectores da sociedade para reflectir sobre o tema "África e o Mundo: Repensar o Presente e Redefinir o Futuro". O evento contou com o apoio do Centro de Estudos de Ciências Jurídicas, Económicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto e da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX).

Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a intervenção do professor e doutor Carlos Lopes, uma das mais respeitadas vozes do pensamento africano contemporâneo. O académico, cuja influência ultrapassa fronteiras geográficas, institucionais e disciplinares, defendeu a necessidade de se olhar para África para além das narrativas tradicionais, analisando o continente à luz das profundas transformações económicas e geopolíticas em curso.

Durante a sua intervenção, Carlos Lopes destacou que 2026 representa um momento histórico para o continente africano. Segundo o académico, pela primeira vez, as projecções baseadas nos indicadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que África deverá registar um crescimento económico superior ao da Ásia, uma tendência que poderá consolidar-se até ao final da década.

"Este ano é histórico porque, pela primeira vez, e com base nas previsões do Fundo Monetário Internacional, África vai ter um crescimento superior ao da Ásia. É a primeira vez que isso acontece na história e, segundo as mesmas projecções, esta tendência deverá consolidar-se e fortalecer-se até 2030", afirmou.

O especialista recordou, entretanto, que este crescimento ocorre após uma sucessão de crises que afectaram severamente o continente. Entre elas, destacou a crise financeira internacional de 2008 e 2009, as restrições impostas pelo quadro regulatório conhecido como Basileia III, a pandemia da Covid-19 e os impactos económicos provocados pela guerra na Ucrânia, factores que reduziram o acesso ao financiamento, aumentaram os custos do capital e agravaram a vulnerabilidade das economias africanas.

Carlos Lopes sublinhou igualmente que, apesar destes desafios, África tem demonstrado uma capacidade de adaptação notável. Contudo, alertou que o crescimento económico não deve ser explicado apenas pelo conceito de resiliência. Segundo o académico, os países africanos continuam a enfrentar custos de financiamento significativamente mais elevados do que outras regiões do mundo, o que limita a capacidade de investimento e reduz a competitividade das economias do continente.

Professor da Mandela School of Public Governance da Universidade da Cidade do Cabo, ex-Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas e Alto Representante da União Africana para as Parcerias com a Europa, Carlos Lopes defendeu que o momento actual exige pensamento estratégico e capacidade de transformar as oportunidades em políticas concretas. Para o académico, o novo ciclo de crescimento pode representar um ponto de viragem histórico para África, desde que o continente consiga converter o seu potencial em desenvolvimento inclusivo e sustentável.

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Marcelino Vasconcelos

A cidade de Luanda acolheu a primeira edição do Fórum "Pensar Global", uma iniciativa da Edicenter Publicações, LDA, que reuniu membros do Executivo, académicos, empresários e representantes de diversos sectores da sociedade para reflectir sobre o tema "África e o Mundo: Repensar o Presente e Redefinir o Futuro". O evento contou com o apoio do Centro de Estudos de Ciências Jurídicas, Económicas e Sociais da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto e da Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (AIPEX).

Um dos momentos mais marcantes do encontro foi a intervenção do professor e doutor Carlos Lopes, uma das mais respeitadas vozes do pensamento africano contemporâneo. O académico, cuja influência ultrapassa fronteiras geográficas, institucionais e disciplinares, defendeu a necessidade de se olhar para África para além das narrativas tradicionais, analisando o continente à luz das profundas transformações económicas e geopolíticas em curso.

Durante a sua intervenção, Carlos Lopes destacou que 2026 representa um momento histórico para o continente africano. Segundo o académico, pela primeira vez, as projecções baseadas nos indicadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam que África deverá registar um crescimento económico superior ao da Ásia, uma tendência que poderá consolidar-se até ao final da década.

"Este ano é histórico porque, pela primeira vez, e com base nas previsões do Fundo Monetário Internacional, África vai ter um crescimento superior ao da Ásia. É a primeira vez que isso acontece na história e, segundo as mesmas projecções, esta tendência deverá consolidar-se e fortalecer-se até 2030", afirmou.

O especialista recordou, entretanto, que este crescimento ocorre após uma sucessão de crises que afectaram severamente o continente. Entre elas, destacou a crise financeira internacional de 2008 e 2009, as restrições impostas pelo quadro regulatório conhecido como Basileia III, a pandemia da Covid-19 e os impactos económicos provocados pela guerra na Ucrânia, factores que reduziram o acesso ao financiamento, aumentaram os custos do capital e agravaram a vulnerabilidade das economias africanas.

Carlos Lopes sublinhou igualmente que, apesar destes desafios, África tem demonstrado uma capacidade de adaptação notável. Contudo, alertou que o crescimento económico não deve ser explicado apenas pelo conceito de resiliência. Segundo o académico, os países africanos continuam a enfrentar custos de financiamento significativamente mais elevados do que outras regiões do mundo, o que limita a capacidade de investimento e reduz a competitividade das economias do continente.

Professor da Mandela School of Public Governance da Universidade da Cidade do Cabo, ex-Secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas e Alto Representante da União Africana para as Parcerias com a Europa, Carlos Lopes defendeu que o momento actual exige pensamento estratégico e capacidade de transformar as oportunidades em políticas concretas. Para o académico, o novo ciclo de crescimento pode representar um ponto de viragem histórico para África, desde que o continente consiga converter o seu potencial em desenvolvimento inclusivo e sustentável.

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